sexta-feira, 23 de novembro de 2012

SANTA RITALINA


Passei a noite ouvindo a SANTA
SANTA RITALINA
e acreditando que tudo vai mudar
que a dor vai passar

a serpente vai abraçar as hienas do ZOO
e depois de uma cacofonia de ossos triturados
vai niná-las dentro do berço da boca
quero ver o sangue escorrendo no moedor de carne
deslizando nas paredes do frigorífico azul
os hipócritas serão içados aos céus
pelo rabo e pela boca
tudo bem à la Bram Stocker mesmo
gosto da carne mal-passada mugindo no plat du jour
E amanhã quem sabe
depois da carnificina
da ganja merecida
do sol, que a muito não me beija a cara
e de uma maravilhosa trepada
eu encontre o que tanto procuro
O que é?
Nem eu sei bem
Um alguém? Eu quero alguém?
Bobagem Cazuza-grilo-falante!
Eu não amo ninguém
ninguém além de mim mesmo
meus textos, minhas folhas em branco
minhas penas entupidas de nanquim
o giz, o GIM
Sim.
o JAZZ
shove it up you ASS
e devore minha coleção do Bertolucci
o teorema do Pasolini, a persona do Bergman
a trilogia do Poderoso Chefão
Não.
Acho que sou um solitário afinal
cheio de ritos e ratos
gostos e graças
o mundo me chuta, me rotula,
me dá as costas, escarra na minha cara
mas eu não sou pego de assalto
tô em paz meu bem, tô zen
Saaaaai zica! Nem vem!
Vou tomar um banho de manjericão, me Saravár
Não deixo vida me nocautear
com suas luvas Pretorian vermelhas
me passa a toalha baby
quando bato no saco de areia costumo suar
um bocado






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